QUEM SOU EU

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Suzano, SP, Brazil
Misto de menina, mulher, fera, mansidão. Sabe bem o que quer, tem os desejos em suas mãos. Tipo solitário, em harmonia, alegria em companhia dos irmãos. Organizada, meticulosa, mais silêncio que prosa. Ativista, indolente, egoísta, filantropicamente. De opinião, sem receio; diante da sabedoria, respeito ao alheio. Fé como base e teto, submissa a Deus, Poderoso, Maioral sobre tudo e todos. Que pensa o futuro no presente, o sonho esperar, paciente. Família: ideia majestosa, trabalho, escola, ação, conhecimento, vicissitude a contento. No amor e na música, imortais transcendentes, esperança condizente. Contemplação sem revolta, muito de mistério, sem resposta. Sensibilidade nem sempre aparente. Na simplicidade, o argumento; igual a todo mundo, diferente. Existência fugaz, duradoura, razão de ser, eternamente. Vim, fiquei, vou, passei; como todos, essa sou eu: Metamorfose, permanente!

ESCRACHADO

Houve um tempo em que,
E não faz tanto tempo assim,
Namorar era ingênuo, romântico,
De fazer as faces corar...
O homem abordava uma mulher,
Como que pisando em ovos,
Pedia suas mãos pra segurar.
Hoje tudo tá escrachado!
Não que o homem tenha mudado,
Creio nisso, não!
Foi a mulher que se liberou, estragou...
Querer isso ou aquilo,
O homem sempre quis,
Mas, havia um semáforo na sedução,
E o homem respeitava os sinais.
Hoje a coisa tá complicada,
De dificil administração.
O homem julga toda mulher igual,
Ou não julga, apenas acha normal,
Conquistou, deu o primeiro beijo,
Quer a mulher na horizontal.
Gostos e costumes, saber disso pra quê?
O velho anel indicando compromisso,
Não se viu e nem se vê.
Há um apelo da sedução,
E o que importa é o momento,
E o velho jargão:
“Não vou fazer nada que você não queira”
Fazer nada, o quê?
Nesse momento, quero que pegue apenas na minha mão...
E você vê aquela relação ir pro brejo,
O homem não voltar mais,
Queria apenas curtição.
Ninguém tem nada a perder,
Lavou tá novo de novo...
Os tempos mudaram, eu sei
De que adianta reclamar?
Só que eu quero muito mais,
Comer pipoca na praça e ver a banda passar,
Quero me mostrar por dentro,
Sobre tudo conversar...
Respeitar algumas etapas,
E aí sim, na cama abusar, descansar...
Mas, os tempos mudaram, eu sei
Só que eu me recuso mudar!

Marina Vertuani em 26/02/2011

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